TOCHA HUMANA

Por Chico Santa Clara*

O Coiso não se mostrou surpreso com a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, da Educação, pela Polícia Federal, no âmbito da investigação sobre o “gabinete paralelo” instalado na pasta. “Ele que responda pelos atos deles”, disse o Coiso. “Se a PF prendeu, tem um motivo”. Em março, quando o esquema no MEC foi revelado, o Coiso saiu em defesa de Milton Ribeiro e disse que colocava a sua “cara no fogo” por ele.

“O Milton, coisa rara de eu falar aqui: eu boto minha cara no fogo pelo Milton”, afirmou, em transmissão ao vivo pelas redes sociais. E tornou a repetir: “Minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia contra ele”. O Coiso e a primeira-dama, Micheques, eram muito próximos a Ribeiro. Se tiver mesmo palavra, o Coiso já deve ter se transformado em personagem da Marvel Comics. A conferir.

Sangue novo no TCE

Com a presença de autoridades do Estado e do município, além de membros do Tribunal de Contas do Amazonas, a procuradora Fernanda Cantanhede foi empossada como a nova chefe do Ministério Público de Contas. A solenidade de posse aconteceu na manhã de terça-feira, 21, no auditório da Corte de Contas amazonense. O evento teve transmissão ao vivo pelas redes sociais do TCE-AM (YouTube e Facebook), além da transmissão, em áudio, pela Rádio Web do Tribunal. A nova procuradora-geral ocupa a vaga deixada pelo procurador João Barroso, que esteve à frente do MPC nos últimos quatro anos, tempo máximo permitido em lei para o cargo. Ao assinar o termo de posse, Fernanda Cantanhede pontuou que deve basear seu mandato no diálogo e na participação ativa de procuradores, servidores e estagiários para prestar um bom serviço à sociedade e aos jurisdicionados.

Sinal vermelho na Reman

Ao contrário do que pregam o Governo Federal e a Petrobras, de que a venda da Refinaria de Manaus Isaac Sabbá (Reman) é necessária para aumentar a competitividade, entidades petroleiras e institutos de estudo socioeconômicos e estratégicos de petróleo afirmam o contrário: a privatização é extremamente danosa ao mercado interno e à população, com redução da competitividade, risco de desabastecimento e de desemprego, diante formação de monopólio privado de refino e distribuição, além de poder acarretar em mais aumento do combustível no Estado. Impedir que o governo federal faça mais essa lambança é obrigação de todos. Fica a dica.

Os Acossados

O lançamento do primeiro EP de vinil da banda Os Acossados acontecerá no próximo sábado, dia 25/06, às 21h, com uma apresentação especial no Quiosque Beer, localizado na Rua Bartolomeu Bueno, bairro Dom Pedro. Também haverá as apresentações das bandas Poesia Maldita e Renegados Pelo Sistema. Os ingressos para curtir o evento serão vendidos ao valor de R$ 10 e o vinil por R$ 60. No entanto, já é possível escutar o EP Acossados em todas as plataformas de streaming e no canal do YouTube. O lançamento no digital aconteceu em fevereiro, por meio do Selo Maxilar, em parceria com a Ditto Music. A banda foi formada em 2012 e é composta por Mônica Cardoso (na voz), Renato Henriques (no baixo e órgão), Álex Jansen (na guitarra) e Wagner Silva (na bateria). Com 10 anos de carreira, o grupo foi contemplado com o edital “Conexões Culturais 2019”, da Manauscult, para realizar um sonho antigo: produzir um EP e lançá-lo no formato de vinil.

Nova casta

O sistema judiciário brasileiro pagou mais de R$ 100 mil a pelo menos 8.226 juízes entre setembro de 2017 a abril de 2020. O montante extrapola o teto constitucional estabelecido de R$ 39,3 mil por mês. As informações são do jornal Folha de São Paulo. Segundo o jornal, foram feitos no total 13.595 pagamentos acima de R$ 100 mil. Muitos magistrados receberam este valor mais de uma vez. 507 magistrados receberam vencimentos acima de R$ 200 mil 565 vezes. O jornal analisou dados dos 27 Tribunais de Justiça dos estados, 5 Tribunais Federais, 24 cortes trabalhistas, 3 tribunais militares estaduais e dos tribunais superiores. A Justiça Eleitoral não foi inclusa no levantamento. Agora vocês já sabem porque os “capas pretas” são tão corporativistas. Faz sentido.

Bico seco

A Copa do Mundo no Catar vai ser um sofrimento para biriteiros e fornicadores contumazes, garante o jornal britânico Daily Star. “Na verdade, não haverá festa nenhuma. Todos precisam manter a cabeça no lugar, a menos que queiram correr o risco de ficar presos durante sete anos. Existe essencialmente uma proibição de sexo na Copa do Mundo deste ano pela primeira vez. Os torcedores precisam estar preparados”, disse uma fonte ao Daily Star. Altamente conservador, relações sexuais no Catar só serão aceitas de turistas que viajem com marido ou mulher. Outro costume bem comum como bebida e festa após os jogos também é estritamente proibida. Os infratores serão punidos exemplarmente. Interessa?

Fora fake news

O Tribunal Superior Eleitoral lançou, nesta terça-feira, 21, uma plataforma para que a população denuncie “fake news”. No Sistema de Alerta de Desinformação Contra as Eleições, disponível no site do TSE, os brasileiros podem relatar informações falsas sobre as eleições e, dependendo da gravidade, autoridades como o Ministério Público Eleitoral podem tomar medidas legais cabíveis. A ideia é detonar notícias falsas, descontextualizadas ou manipuladas sobre o processo eleitoral brasileiro, além de postagens com discurso de ódio ou qualquer tipo de incitação à violência que visem atacar a integridade eleitoral ou agentes públicos envolvidos no processo. Mãos à obra, eleitores!

A odisseia da jornalista Juliana Faddul

Leiam esse depoimento da Juliana Faddul e tentem não ficar chocados. Esse é o retrato falado da barbárie em que o país se transformou depois da chegada do Coiso à presidência:

“Bora falar de mercado de trabalho? Nos últimos meses recebi 3 propostas para trabalhar em projetos MUITO legais, super progressistas etc. Daquele tipo que a gente até reza antes de dormir torcendo para dar certo, sabe?  As três envolviam viagens e Amazônia.

O primeiro toco veio de um produtor (homem, europeu), que achou que sairia mais barato chamar outro homem pois poderia “economizar na estadia” já que o “projeto tem grana curta”. Brinquei que, por mim, não seria problema porque já viajei muito em hostel e etc. Riram. Não rolou.

A segunda era no Pará: Altamira, Marabá, Tucuruí e Marajó. Como são “cidades muito perigosas” era “complicado” ter uma mulher na equipe. Respondi que estive lá em março e abril neste ano, sozinha, apurando para uma reportagem. “Nem fotógrafo levei”. Não rolou.

Duas semanas depois o mesmo rapaz me ligou e perguntou se eu poderia enviar alguns contatos da região. “Perdemos alguns dias de filmagem porque as lideranças são muito arredias”. Eu passei (pela causa e visibilidade) e ambos foram super desrespeitosos com uma das lideranças.

Eles acabaram sendo expulsos por esta liderança (que eu admiro muito) e eu recebi um áudio longo, mal educado, sobre a ação deles na região. Não recebi um tostão por isso e a “causa” aparentemente era só para ficar bonito nos stories do Instagram e no perfil do Tinder.

Já o último teve um processo de seleção bem extenso. Foram muitas conversas, pitchings, apresentações e entrevistas com gringos, de todos os idiomas possíveis. Estava competindo com dois grandes amigos meus.

Um tem 34 anos (s/ filhos) e outro (40+, 2 filhas lindas).  Eu tenho 32 anos. O “pai”, mesmo não tendo conhecimento da região, nem falando um dos idiomas solicitados (espanhol), acabou abocanhando a vaga. Fomos os três comemorar a vitória e (amargar a derrota) na mesa do bar.

Lá descubro que eu fui a única que tive de responder na última etapa: 1) se “minha família” (não tenho filhos) ia se importar de eu estar tanto tempo longe, 2) se estava num relacionamento estável e 3) se tinha óvulos congelados (é, rolou isso). A entrevistadora era uma mulher. A gente sabe o nome disso.

Eu não quero comentários como “meus sentimentos”. Eu não quero expor ninguém. Eu não quero “lacrar”. Eu só quero que a gente pare e repense um pouco porque está ficando muito cansativo do lado de cá.

Chico Santa Clara*

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