CONFERÊNCIA BRASILEIRA DE MUDANÇA DO CLIMA

Por Chico Santa Clara*

Berço da maior sociobiodiversidade do planeta, é da Amazônia que podem nascer soluções para a crise climática. Esta foi a proposta apresentada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) na primeira parte da IV edição da Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC), realizada entre os dias 10 e 11 de junho, em Niterói, no Rio de Janeiro. O evento teve participação de organizações do terceiro setor ligadas ao clima e meio ambiente, além de representantes de governos do país. A segunda parte da CBMC está prevista para agosto, em Recife.
Chumbo grosso (1)

A realização de ações conjuntas com a Comissão Externa do Senado, incluindo diligências e audiências no Município de Atalaia do Norte, no Vale do Javari, ouvindo indígenas, indigenistas, órgãos e entidades, somando os esforços no parlamento em busca de respostas e soluções aos problemas dessa região. Essas foram algumas das deliberações da primeira reunião da Comissão Externa da Câmara Federal, que aconteceu de forma remota na manhã desta segunda-feira, 20. Coordenada pelo deputado federal Zé Ricardo e composta por 15 parlamentares, a Comissão tem a missão de acompanhar, fiscalizar e propor providências no caso dos assassinatos do indigenista da Funai, Bruno Pereira, e do jornalista do The Guardian, Dom Phillips.

Chumbo grosso (2)

Para Zé Ricardo, muito além de acompanhar a finalização das investigações, cobrando a prisão de todos os envolvidos e de possíveis mandantes das mortes e Bruno e Dom, a Comissão Externa da Câmara tem um papel fundamental de apurar os desdobramentos e a omissão do poder público na garantia da segurança dos povos indígenas, na região do Vale do Javari, onde se encontra a segunda maior reserva indígena do país, mas também estratégica para o tráfico de drogas e garimpo ilegal. “Os assassinatos de Bruno e Dom chocaram o Brasil e o mundo, e não podem ser tratados com indiferença. É preciso esclarecer as causas do crime e suas circunstâncias, bem como de seus mandantes e executores. É mais um crime que revela o abandono da Amazônia pelas autoridades: Funai sucateada, pouca estrutura da PF e na Base Anzol, além da inércia do Conselho da Amazônia”.

Clichê do clichê

Uma imagem vale mais do que mil palavras! Sim, é o clichê do clichê. Mas nesse caso, é a mais pura verdade. A diferença em relação ao atual presidente salta aos olhos! Tratar bem pessoas. Indígenas ou não, mas também os que sofreram com a covid-19, os que sofrem com a pobreza, os que estão angustiados pelo desemprego. Uma simples questão de decência e humanidade.
Lambança

O Coiso voltou a dizer que fez acordo com o ministro Alexandre de Moraes. Que Moraes arquivaria inquéritos sobre fake news e milícias digitais. Temer estava lá. “Ninguém lembra”, reclama Bolsonaro. “Eu entro com a carta, ele (Moraes) entra com outras coisas”. Temer desmentiu em detalhes hoje. Renata Agostini ouviu tudo e colocou a boca no trombone. Ser desmentido por Temer é apenas mais uma humilhação do mentiroso contumaz. Fazer o que?

Chegou mais um!

Parabéns aos colombianos e ao presidente eleito Gustavo Petro. É sempre motivo de alegria quando um dinossauro de direita é riscado do mapa. Desejo sucesso a Petro em seu governo. A sua vitória fortalece a democracia e as forças progressistas na América Latina. Mas para a esquerda, não basta vencer. É preciso governar bem. Só assim os monstros não voltam.

Fim do mundo (1)


“Consegue ficar mais um pouquinho?” Vocês viram essa aberração? Uma criança de 11 anos foi estuprada e engravidou. Tem direito ao aborto legal, mas pelo contrário, a criança foi separada da mãe e é mantida em um abrigo. Agora, a criança já está com quase 30 semanas de gestação e uma juíza bolsonarista, temente a Deus, quer que a criança estuprada tenha o bebê em nome da Pátria e da família…
Fim do mundo (2)

Não existe justificativa plausível para forçar uma menina de 11 anos (que foi estuprada aos 10) a levar essa gestação a termo. NÃO EXISTE. O corpo dela não é preparado para isso, ela pode morrer, além de todo o trauma que uma gravidez fruto de estupro pode gerar no futuro.

Se você apoiar isso, você é pró-feto, não pró-vida. Se você acha que a menina tem que passar por isso e parir, você não se preocupa com a vida dela. Você acha que ela não passa de uma incubadora. Fala sério!
Fim do mundo (3)

Sobre a juíza que quer manter a gravidez de uma menina de 11 anos que foi estuprada, uma observação final. Se a menina fosse filha da meritíssima, esse caso nem teria chegado ao Judiciário. E o aborto já teria sido feito.
Só lembrando

As três últimas eleições na América do Sul foram contra a extrema-direita fascista e o campo progressista cortou a cabeça da hidra em grande estilo: Boric venceu Kast no Chile, Castillo venceu Fujimori no Peru, e Petro venceu Hernández na Colômbia. Como sabem até as pedras portuguesas do Largo de São Sebastião, aqui no Brasil o quadro também será esse. É esperar para ver.

FEITIÇARIA NO CANGAÇO

Filho de Manuel Ignácio da Silva (o “Jacaré”) e Maria Joaquina de Jesus, Antônio Ignácio da Silva nasceu em Tacaratu (PE), no dia 1º de novembro de 1909, e faleceu em Belo Horizonte (MG), no dia 6 de setembro de 2010. Ele se tornou mais conhecido pela alcunha de Moreno e foi o cangaceiro mais longevo do bando de Lampião e Maria Bonita.

Moreno perdeu o pai na adolescência, quando este foi morto pela polícia nas proximidades de São José do Belmonte, em uma suposta queima de arquivo. Ele exerceu a profissão de barbeiro, mas seu desejo era ser soldado da polícia. O sonho terminou quando foi preso e espancado por policiais de Brejo Santo, após ser acusado injustamente de roubar um carneiro. Libertado, matou o homem que o denunciou, que seria o verdadeiro ladrão.

Na sequência, Moreno foi contratado por um proprietário rural para defender sua fazenda do ataque de cangaceiros, mas terminou integrando-se ao grupo de Virgínio, cunhado de Lampião, de quem tornou-se amigo. Moreno era conhecido por não gostar dos rifles de repetição americanos, muito usados na época e ter, a sua disposição, um mosquetão.

Na década de 1930, Moreno se casou com Durvalina Gomes de Sá, a “Durvinha”. O casal teve um filho, que não pôde permanecer com o bando, pois seu choro poderia denunciá-los. A criança foi deixada então com um padre, que a criou.

Dois anos após a morte de Lampião, o casal fugiu para Minas Gerais. Por precaução, Moreno passou a chamar-se José Antônio Souto, e Durvalina tornou-se Jovina Maria. Estabeleceram-se na cidade de Augusto de Lima, e prosperaram vendendo farinha. Tiveram mais cinco filhos e se mudaram para um subúrbio de Belo Horizonte, no final da década de 1960.

Ainda com medo de serem descobertos e mortos, mantiveram o passado em segredo até para os filhos. A situação manteve-se até meados da década de 2000, quando a existência do primogênito foi revelada. Encontrado em 2005, Inácio Carvalho Oliveira pôde finalmente reencontrar seus pais biológicos. Só então é que a família conheceu a história do passado no cangaço. Durvinha morreu pouco tempo depois.

Pouco antes de falecer, Moreno deixou uma caderneta contendo as orações e feitiços usados por ele e seu comparsas de jagunçagem. Moreno, que era um índio da nação Pankararu, do Sertão meridional de Pernambuco, conhecia todas as formas de pactos e ritos que, realizados nas quatro “horas abertas” do dia, propiciavam vários “talentos”.

Em uma de suas últimas entrevistas, Moreno contou que fechou o corpo de quase todos os companheiros, lhes confeccionando patuás poderosos.  Ele ainda lhes consagrou os anéis para terem miras certeiras e uma destreza mortal no manejo dos punhais.

Aos mais perigosos e mais procurados pela polícia de Vargas, como Corisco e Gato, ele ensinou como se “envultar” (ficar invisível) através de pactos com “diabos menores”. Curiosamente, disse Moreno, Lampião era o único que quase sempre declinava essas magias.

“Temente a Deus e afilhado de Nossa Senhora, ele preferiu morrer a ferro frio (faca) ou quente (bala) a ter que ficar devendo favorecer o Diabo.” Não obstante, Lampião aceitou levar um sinete na aba dianteira do chapéu que lhe concedeu talentos premonitórios.

Moreno disse que, desde o dia em que “ferrou” o tal amuleto no chapéu do chefe, Lampião passou a tomar as decisões mais imprevistas: acordava no meio da noite alarmado por sonhos e ordenava retiradas urgentes e mudava de rota conforme os avisos que lia no voo ou no canto das aves.

Quando foi abatido no cerco de Angico, Lampião estava usando um chapéu novo, “desprevenido”, porque já não suportava o desassossego daqueles avisos. O chapéu mágico havia sido devolvido ao próprio Moreno, que dele recortou o sinete e o guardou sempre.

Foi graças a este amuleto, assim acreditava Moreno, que ele pôde escapar ileso das forças policiais e migrar para a Minas Gerais, onde teve uma vida sossegada e próspera. Superstição ou não, Moreno foi de fato o sobrevivente mais longevo do cangaço.

Quando faleceu, em 2010, alguns meses depois de entregar a sua “caderneta mágica” aos historiadores da UFMG, Moreno tinha 100 anos, e estava tão lúcido quanto famoso.

Um dos historiadores publicou um fac-símile, em edição limitada, com o título de “Caderneta de anotações sobre a vida, versos e orações do cangaceiro Moreno”. A caderneta original está nos arquivos da UFMG.

Chico Santa Clara*

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