O meu advogado Cristiano Zanin Martins

O novo ministro do STF não foi apenas o advogado de Lula, mas o defensor de todos nós no enfrentamento do fascismo lavajatista, escreve o colunista

Por Moisés Mendes *

Quando anunciaram que Cristiano Zanin Martins seria o advogado escalado para enfrentar a estrutura da Lava-Jato, poucos o levaram a sério. Eu não levei.

Os grandes advogados, os famosos, os imbatíveis, todos foram sendo deixados de lado, e Zanin surgiu então como surpresa. Iríamos até o fim com Lula para o que o imponderável nos reservava.

Zanin era o meu, o seu, o nosso advogado. Mas quem era Zanin? Poucos sabiam. E o moço de Piracicaba foi nos passando confiança ao lidar com cada um dos nossos processos.

Porque o que se movia em Curitiba não era um cerco em direção a Lula, mas em torno de todos nós. Estávamos sendo investigados, dedurados e processados.

A Lava-Jato era um projeto de destruição do país, das empresas, da economia e da democracia. Um plano de perseguição dos inimigos do lavajatismo com um formato inimaginável na ditadura.

Porque a ditadura precisava preservar a estrutura do país, com alguma índole nacionalista. E o lavajatismo que lançou as bases do novo fascismo era essencialmente destrutivo. Na sua fase acabada do bolsonarismo, assim como a ditadura, também matou.

O projeto da Lava-Jato levou a Bolsonaro e à matança da pandemia, à formação de quadrilhas articuladas com militares e à degradação das relações humanas.

Tudo era parte da mesma ambição destruidora do ‘sistema’, que seria levada adiante sob a inspiração dos justiceiros de Curitiba.

E lá estava nosso advogado Zanin, em quem poucos confiavam no começo, pela cara de guri, pela aparente falta de assertividade e pela leveza, em meio à brutalização imposta pela ascensão de Bolsonaro ao poder.

E o meu advogado, o seu, o nosso advogado foi peleando e perdendo, porque eram muitas as frentes abertas pelo esquema de Curitiba e pelo poder montado a partir de 2016 com o golpe contra Dilma e depois de 2018 com Lula encarcerado.

Eram mais de duas dúzias de processos. E aconteceu o improvável. Nosso advogado, humilhado por Moro, grampeado, desrespeitado, venceu uma a uma todas as armadilhas da Lava-Jato, até conseguir o que mais importava: convenceu o Supremo de que o juiz da caçada a Lula não poderia ter feito nada do que fez.

Zanin derrotou Moro derrubando a coluna podre que o sustentava. O juiz que ouvia as conversas de Dilma e Lula, que cometeu mais de 10 ilegalidades graves com seu ajudante Deltan Dallagnol,que afrontou o Supremo e depreciou a própria Justiça, esse juiz era um medíocre com a autoridade de um déspota.

Moro metia medo nos ministros do STF, porque jogava com a imprensa, era pop, era inquestionável, era até filme e livro. Mas era medíocre e simplório. E Zanin o desmascarou.

Zanin era o nosso advogado, muito mais do que o advogado de Lula. Porque salvou Lula da caçada do lavajatismo e nos salvou da gangue de Curitiba e das suas derivações.

Ao salvar Lula, Zanin nos salvou da Lava-Jato, de Bolsonaro, dos militares, dos milicianos, dos grileiros e dos matadores de yanomamis.

Zanin foi nosso advogado, talvez mais do que o advogado de Lula. Sem o imponderável que ele carregou nas costas, sob a desconfiança de juristas e dos que dele dependiam para se salvar, Lula não estaria condenado à perseguição eterna sozinho.

Todos nós seríamos os perseguidos até mesmo por manés e terroristas que estão ou estiveram presos na Papuda.

Sem o nosso advogado, o Brasil estaria entregue hoje ao terror de milicianos em cada quadra emtodas as cidades.

Cristiano Zanin Martins foi quem conseguiu nosso habeas corpus, em nome dos que resistiram com Lula.

Nunca o Supremo teve como terá agora um ministro que advogou, protegido pela memória de Heráclito Fontoura Sobral Pinto, pelo país todo contra o fascismo.

*Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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